coisas # a influência do punk rock na adolescência

lembro-me perfeitamente quando tinha 14 anos e entrei para a nova escola onde ia fazer o secundário. aquilo tudo me parecia estranho e grande.

foi no epicentro da adolescência que o meu gosto musical se começou a tornar coeso (para anos mais tarde perceber que afinal *podemos* gostar de vários tipos de música e isso até é visto como uma coisa cool. porque ninguém nos dizia isso na altura. medo do que?).

um dia, a caminho de casa no autocarro estava um rapaz mais velho da minha escola. ele pertencia ao grupo dos gajos cool da escola, os skaters punks.

[OKAY altura para parêntesis. na minha escola, como provavelmente nas outras, haviam basicamente 4 grupos de pessoas que se destacavam: os freaks, os do hip-hop, os betos e por fim os skaters punks.]

o rapaz em questão estava a falar com alguém sobre um cd de pennywise, o unknown road (e antes de me considerarem super influenciável, esse cd tornou-se o meu cd preferido de pennywise).
e sim, como os gajos que começam bandas para engatar miúdas, fui comprar o cd à carbono (a mítica loja de cds usados onde dava para comprar cds de punks e outros géneros mais “underground”) para perceber afinal o que é que os que eu considerava cool ouviam (e sim, tornar-me mais cool).
a partir daí foi sempre a subir. descobri o maravilhoso mundo dos concertos no paradise garage, tive o meu primeiro mosh e crowdsurfing (com direito a um pontapé na cabeça. há quem diga que isso explica alguma coisa, i don’t get it?), visitas ao centro de comercial de arroios onde havia a hipercore (loja de skate), a carbono, a el diablo (onde anos mais tarde fiz a minha primeira tatuagem)  e entrei no mundo dessa cena cool que era ser punk.

na minha cabeça a cena punk era a coisa mais fixe que já tinha existido. os valores de anarquia, rebeldia, aliado à adolescência e a vontade de mandar tudo com os porcos, era óbvio que aquilo ia fazer faísca.

depois foi como aquelas paixões que se transforma em amor e mais tarde em companheirismo. é verdade, hoje em dia já são raras as vezes que oiço as bandas que gostava tanto, mas de vez em quando quando uma dessas bandas vem cá, vou aos concertos (vá, quando há dinheiro para reminisce).
acredito que a convivência com esse estilo de música, aliás, de vida, me ajudou a abrir os olhos para mundos/realidades diferentes, não ser tão julgadora e moralista (também ajudou ter uma mãe trotskista).

e é giro ver que mesmo quando se passa a fase da adolescência e se vai crescendo e torna-se adulto, os punks continuam. e tornam-se pais (wait, what?) e os valores vão sendo mais abrangentes. sobre este assunto recomendo:

(cool uh?)

a conclusão é que, para mim, o dito “punk-rock” foi uma influência super positiva na minha vida. e depois veio o emo, mas isso é outra história.
(psst nada de gozar com emo, okay?)

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