#johnny cash

foi por volta dos 16 anos que ouvi falar pela primeira vez no johnny cash. ouvi falar porque tinha uns amigos que gostavam e falavam dele.na altura aquilo não causou grande efeito porque assim que me disseram que aquilo era country, o primeiro pensamento foi “ew, que cena foleira” (mal sabia eu…).

uns anos mais tarde já eu conhecia melhor o johnny cash e saiu o filme “walk the line” com o joaquin phoenix e a reese witherspoon. lembro-me que fui ver o filme ao cinema com os mesmos amigos que gostavam e de repente fez-se luz. adorei o filme. adorei o joaquin phoenix como o man in black. fiquei admirada porque quando olhamos para o phoenix, vemos que não é nada parecido fisicamente, nem canta como o cash, mas é filme ele é o johnny cash. (he owns that movie, dude).
fiquei fascinada com a história (o filme retrata o início da vida do cash e termina por volta dos anos 60) e assim começou a nascer a minha grande admiração pelo johnny cash.

o johnny cash nasceu em 1932 em kingsland, arkansas, sul dos estados unidos da américa, no seio de uma família pobre que apanhava algodão para sobreviver. deram-lhe o nome de j.r. cash.
os pequenos cash eram sete irmãos e irmãs e há um deles que vai marcar desde muito cedo a vida do pequeno j.r. (alguém consegue imaginar o johnny cash em pequenino? é adorável:

pequeno johnny cash

quando tinha apenas 12 anos, um dos seus irmãos mais velhos, jack, morreu num acidente com uma máquina de cortar madeira. esta tragédia iria para sempre marcar cash. jack era o seu irmão “preferido” e supostamente, teria sido cash quem deveria ter ido trabalhar e o seu pai nunca o deixaria de esquecer este facto.

[num dos capítulos da sua autobiografia, cash conta que ao longo da sua vida, havia alturas em que sonhava com jack e que o via sempre mais velho, como se estivessem sempre a crescer os dois ao mesmo tempo.]

o johnny cash começou a cantar desde muito cedo com a sua mãe, enquanto apanhavam o algodão. era costume cantarem gospel ou as conhecidas work songs.

mais tarde, cash entrou para a força aérea, casou-se e tentou ter um trabalho normal.
para bem de todos nós, por volta de 1950, cash não conseguiu manter esse dito trabalho e em conjunto com dois amigos (guitarrista luther perkins e baixista marshall grant) tentaram a sua sorte e foram à Sun Records (um dos estúdios mais importantes que lançou nomes como carl perkins, roy orbinson e jerry lee lewis) apresentar as suas músicas. reza a história que aquele primeiro encontro não correu muito bem (o estúdio já não queriam gravar gospel, mas sim, aquele novo fenómeno do rock’n’roll). e foi assim que surgiu o primeiro single do johnny cash e os tennessee two: “hey porter” e a “cry, cry, cry” :

gosto do johnny cash porque desde o início da sua carreira as suas músicas, letras, paixão, sempre foram verdadeiras e humanas.

porque, como tantos outros artistas (e não só), a vida do johnny cash não foi fácil. quando começou a ter algum sucesso com a Sun Records, começou a fazer tours com vários nomes conhecidos: roy orbinson, jerry lee lewis, elvis presley, entre outros.com essas tours veio mais sucesso, mais pressão e também mais acesso a álcool, drogas e mulheres.
foi um downward spiral entre affairs, bebedeiras e um vício crescente de comprimidos.

no meio desta confusão conheceu june carter (também cantora de country). e sim, foi amor à primeira vista como todos nós gostamos. problema #1: estava casado ainda com a primeira mulher (oops?), mas isso não impediu que se apaixonasse e tentasse convencê-la que era perfeitos um para o outro. problema #2: a june carter também era casada e achava que johnny cash era mais um womanizer daqueles que havia no *perigoso* mundo do country (o que afinal até era verdade).
finalmente, em 1968 lá se casaram os dois e foram felizes para sempre (sim, é verdade!).

a verdade é que durante esta fase atribulada, o johnny cash criou das suas melhores músicas (ring of fire, i walk the line, cocaine blues e claro, o folson prison blues, entre milhares de outras).
desde sempre que as musicas do johnny cash tiveram uma grande inspiração espiritual. é muito interessante perceber que apesar de andar meio perdido durante algum tempo, as suas musicas reflectem bem as suas origens e os seus valores. cash sempre mostrou a sua compaixão para com os pobres, com os marginalizados, e ao contrario dos seus amigos rockabillys (hello, elvis? sing us another love song), as suas musicas sempre foram muito mais profundas e interessantes.

quando em ’68 decide gravar dois concertos na prisões san quentin e folsom, à revelia da sua editora (onde é que já se viu cantar para criminosos tão abertamente?), teve um sucesso estrondoso.
mais tarde veio o “the man in black” uma das suas musicas mais conhecidas. uma música que explica os seus valores e os seus princípios:

I wear the black for the poor and the beaten down,
Livin’ in the hopeless, hungry side of town,
I wear it for the prisoner who has long paid for his crime,
But is there because he’s a victim of the times.

I wear the black for those who never read,
Or listened to the words that Jesus said,
About the road to happiness through love and charity,
Why, you’d think He’s talking straight to you and me.”

durante os anos ’80 e inícios dos anos ’90, a sua carreira sofreu um declínio… as pessoas já não ligavam muito ao que tinha para contar e foi deixando de ter tanto sucesso/reconhecimento.
mas, para a nossa sorte, o cash nunca parou de lançar discos. em 1994 juntou-se ao produtor rick rubin (mais conhecido no meio do rap e hardrock) e lançou o primeiro de vários lps chamados “americans recordings”. nos vários cds que lançou até por volta de 2003 (altura em que faleceu), fez covers de músicas que à primeira vista nada tinham a ver com o seu estilo, nomeadamente: i see a darkness (bonnie prince billy), hurt (nine inch nails), bridge over trouble waters (simon&garfunkel), “mercy seat” (nick cave) bem como alguns originais como o “when the man comes around”. mas o extraordinário destas covers é que muitas delas parece que foram criadas para ser cantadas pelo johnny cash. por exemplo a música hurt. cantada originalmente pelo senhor trent reznor, o cash faz daquela música sua (recomendo ver o videoclip).

dizem que o johnny cash foi dos músicos que mais influenciou a música (americana e otherwise). com aquele tom de voz (barítono?). com a emoção com que cantava. com olhar doce que tinha. há uns anos li a sua autobiografia (que inspirou o filme) e recomendo a todos. fala da história de um homem que conseguiu ultrapassar os seus medos, reconhecer os seus falhanços, as suas vitórias, e acima de tudo o amor pela vida com que sempre viveu.

johnny cash é um dos grandes, grandes, senhores da música.
obrigada.

ps – bem sei que este post já vai longo, mas sabiam que durante algum tempo (infelizmente não me lembro quanto) o johnny cash e família viveram na jamaica? e que durante um jantar houve uns tipos que entraram em casa e com umas armas fizeram-nos reféns? é verdade. mas depois a coisa resolveu-se e ninguém ficou ferido.
johnny cash e jamaica. conseguem imaginar?

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