#grande família

depois de um concerto (usando o termo de forma *muito* livre) do tudo é vaidade no cinema são jorge, confesso que a ideia de ir ver o samuel úria ao CCB assustava.
mas. quem deu um concerto tão bom na zé dos bois tempos antes, merecia uma nova oportunidade. (não são todos os dias que aparecem músicas como o espalha brasas ou essa voz).

no dia em que lisboa foi espanhola, o samuel úria (e seus muchachos) foi tocar ao pequeno auditório do CCB. a casa não estava completamente composta, mas o suficiente para ser uma cool crowd.

não há qualquer dúvida que o samuel úria é um dos grandes músicos da “nova geração” da música portuguesa: ninguém lhe tira o estilo com que toca guitarra/banjo, nem as suas expressões faciais, nem aquela voz que ora está num tom agudíssimo, ora está num tom gravíssimo. e a roupa? o meu pormenor favorito: as meias vermelhas.

só que…
eu gosto muito dos seus dois álbuns: das melodias, das composições, da voz e, em especial, das letras.
a verdade é que a maioria das letras são muito espirituais. (com um passado/presente/futuro baptista não seria possível esperar outra coisa).

parece um contra-senso conseguir ser tão rock’n’roll e ao mesmo tempo ser tão crente?
não sei. não percebo.

mas a verdade é que parece que já fazemos parte da grande família do samuel úria. temos a sensação que as pessoas que vão aos seus concertos são sempre as mesmas, quase que dá para dizer um olá-tudo-bem-por-aqui-hoje?

e que concertos! fico sempre com uma sensação boa na barriga. inspiração divina?

anyway.
i’ll quit ranting.

#primavera sound, round two

as mais espectaculares:

explosions in the sky

blur

grizzly bear

glass candy

o nick cave a tocar o mercy seat

e depois acabou com isto:


(parece melhor o vídeo do que foi na realidade. nunca vi tantas pessoas a ir embora de um festival) (mesmo).

mas já acabou.
venham daí os quatromilecinquentaedois eventos com os miúdos.

#postal service

a propósito deste post: http://www.umbigomagazine.com/um/2013-02-13/casa-claudia-festas-de-aniversario-como-activadores-de-memoria.html

inimaginável que já se passaram dez anos desde o lançamento de “give up” dos postal service.

esse cd fez (a bem da verdade ainda faz) parte dos albúns que me marcaram.  o cd é awesome de todas as maneiras.

voltaram agora com a reedição comemorativa do cd e têm duas novas músicas, uma delas já tem inclusivamente um vídeo (não oficial) (mas da editora, a sub-pop \m/).

isto é tudo muito bonito mas não lhe perdoo irem ao primavera sound de barcelona e não à edição do porto.

ps – cá para mim a culpa é do ben gibbard.

# bon iver em lisboa…

… ou como me apaixonei nessa noite.

bem sei que esta ideia parece adolescente ou reservada a groupies. mas, a verdade é que o concerto do(s) bon iver, no passado da 24 de julho no coliseu dos recreios, foi qualquer coisa mágica. a bem dizer as expectativas eram altas, depois de dois concertos cancelados (sim death cab, sim florence, estou a falar de vocês) este concerto prometia (tinha) ser a melhor coisa que iria ver este ano.
e não desiludiu.

a primeira parte foi interessante (um senhor chamado sam amidon, cool, mas o que é que foi aquele grito de 3 minutos? os meus ouvidos não apreciaram), mas o melhor veio depois. o concerto começou por volta das 22h30 com o justin vernon sozinho em palco  brincar com o modificador de voz (auto tune ftw), a cantar a “woods”.

a setlist do concerto (e podem ver aqui uma playlist de uma alma caridosa que filmou quase todo o concerto):
woods
perth
minnesota, wi
flume
towers
hinnom, tx
wash
creature fear
team
holocene
blood bank
re: stacks
skinny love
calgary
lisbon, oh
beth/rest
the wolves (act I and II)
for emma

durante o todo o concerto senti o meu coração cheio, cheio, cheio. foi dos concertos em que me senti mais feliz. mesmo quando não podia cantar alto (case in point a re:stacks onde a maioria estava demasiado concentrado a querer ouvir unicamente a versão de justin vernon, o que não me impediu de “mimicar” a letra completa). especialmente quando os arranjos inesperados das músicas (blood bank) nos faziam tremer de uma forma nova. especialmente quando justin vernon disse “this has been one of the most memorable nights of my life. wooh, wooh. i’m not fucking around when i say this”. especialmente quando a skinny love, uma das músicas mais freaking heartbroken, se tornou um hino que todos cantaram (mesmo quando as parvas das miúdas que estavam ao meu lado disseram “ah espero que seja a versão da birdy”). especialmente quando tocaram a beth/rest (como senhor do ipsilon dizia “quase a escorrer azeite” e “estamos quase à espera que apareça o phill colins a cantar o in the air tonight”) com os seus arranjos musicais potencialmente foleiros (auto tune outra vez) mas a funcionar na perfeição.
mesmo com o encore perfeito com o coliseu a cantar “what might’ve been lost” vezes sem contas, num tom crescendo até sentir que a voz não podia falar mais alto. especialmente com o “for emma”.
mesmo quando acabou.

sem dúvida alguma que foi um dos melhores concertos da minha vida. que dramático, ein? mas os sentimentos não se compram, nem se imitam. e este concerto foi tão especial, tão grande, tão mágico, tão honesto e verdadeiro, tão bom que, para mim, foi mesmo isso. ficar apaixonada durante uma noite.