#chuck palahniuk

o chuck palahniuk (que se lê de duas maneiras possíveis: “paula-nick” ou “palaniiuukkk”) é mais conhecido por ter escrito o fight club (que ainda não li). mas recentemente li o haunted.

o haunted é um livro de short stories e poemas pelo meio, que tem uma história central que as liga. palahniuk fala-nos de 19 personagens que, de forma a escreverem a melhor história da sua vida, foram fazer um “retiro” (se eles soubessem…) durante três meses para uma casa, não abandonada, mas no meio do nada, sem contacto com o exterior.
temos duas personagens que são os anfitriões,o mr. whittier e a mrs. clark, que explicam como se vai desenrolar o “retiro”: cada personagem deve contar uma história.

e meu deus, que histórias.

<spoilers ahead> <you have been warned>

já li outros livros do palahniuk e, portanto, o gore e a estratégia de shock-and-awe não é nada que não estivesse à espera. mas… a primeira história é contada pela personagem st gut free e chama-se guts. de forma altamente resumida e simples, a história fala-nos sobre várias maneiras uber creepys de um homem se masturbar, e em concreto uma experiência de um miúdo de 13 anos que correu horrivelmente mal. (envolve uma piscina, sucção de ar e tripas). é capaz ter sido das coisas mais ugh e brutais que já li na vida, mas, para mim, o palahniuk escreve de uma maneira que se torna impossível não querer ler até ao fim.

também temos um conto sobre uma altura na história onde uma expedição de astronautas chega a vénus e entendem que aquilo é o paraíso para onde vão as pessoas depois de morrer. isso leva a que, de uma forma generalizada (forçado pelos governos, entidades, religiões), as pessoas queiram morrer rapidamente e deixem de encarar a morte com tanto medo (no conto não se usa a palavra suicídio para descrever a acção, mas sim a palavra emigrar). é uma história até bonita.

e depois há história de uma mulher que, sendo office-manager de uma esquadra de polícia, tem acesso a uns bonecos anatomicamente correctos (que, em teoria, servem para crianças abusadas explicar como e onde foram abusadas). acontece que esses bonecos (de pano) estão desgastados e a mulher resolve ir à internet encomendar novos (1st mistake). não tarda e eis que aparece na esquadra a dita encomenda. e a encomenda é grande. e são bonecos, anatomicamente correctos feitos de silicone, um menino e uma menina (e não são miúdos verdadeiros, como se pode pensar originalmente) feitos de silicone. e, em vez de os devolver, os bonecos ficam na esquadra de polícia (2st mistake). o que se passa a seguir é um crescente desacreditar na humanidade (que considero inerente) das pessoas.

mas isto para dizer que o palahniuk consegue escrever as coisas mais horrendas e brutais e aterradoras que nunca achei que ninguém era capaz de pensar (ah!) e eu que já vi tantos filmes de terror, fechei por várias vezes olhos e pensei “omg eu não acabei de ler isto”. ler amigos. ler.

o palahniuk muitas vezes é cruel. mas para quem gosta de histórias do horror, vale a pena. é ainda também interessante que a maioria destas histórias, se não todas, não têm um elemento do sobrenatural. o terror que faz mais impressão é o terror, que a par com a humanidade, é inerente às pessoas.

ps – e eu que deixei uma vez o livro (a edição da fotografia lá em cima), de capa virada para cima, no sofá. e quando, a sair de casa, apaguei as luzes e ia morrendo de susto porque de repente só vi uma CARA HORRÍVEL A OLHAR PARA MIM. diz que a capa é fluorescente. ia morrendo. claro que liguei logo as luzes. e é claro que fui virar o livro.

ps 2 – para quem quiser ler a história do st gut-free, aqui. para os mais fracos de estômago: não leiam.

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